Por Valdemar Figueredo
Mesmo nos Estados Democráticos de Direito que possuem as prerrogativas para uso legítimo da força, existem os recalcitrantes. O que diríamos da democracia enquanto forma de governo de grupos eclesiásticos? Os batistas, da Convenção Batista Brasileia (CBB), não possuem braços armados que imponham pela força a vontade legitimada pela maioria, sequer dispõem de mecanismos que possam representar ameaça aos que não se submetem e não cooperam. Constituição sem o complemento do poder coercitivo é o mesmo que esperar adesão pelo convencimento.
Pode parecer que a sutileza da diferença exposta é também a demonstração da sua insignificância em termos práticos. No entanto, tal sutileza é altamente explicativa da condição atual dos batistas enquanto grupo religioso que necessita da coesão para sobreviver. Embora grupos de notáveis estejam frequentemente detidos em reformas de regulamentações, uma vez aprovados os regimentos e estatutos, expedientes coercitivos não existem para tocar nas comunidades locais. Muitas igrejas locais não deixaram de ser batistas, mas não se reconhecem como pertencentes à CBB, ainda que formalmente estejam filiadas.
Estranhamente, a “constituição” da denominação religiosa em questão anuncia a sua fraqueza e não o seu poder. Se o poder de governo dos batistas no Brasil não é determinado pela força da regulamentação, como acontece nas democracias, então, qual a força determinante?
A voluntária cooperação é o fator determinante para a coesão. Conforme Aristóteles, a estabilidade do governo depende da adequada “constituição”. Na especificidade dessa forma de governo, concluímos que a democracia batista é instável. Convenhamos, toda democracia é instável por natureza. Então, melhoremos essa conclusão: a democracia batista é muitíssima instável.
Em termos práticos, os batistas construíram todas as suas estruturas sobre o fundamento da confiança. Diferente do Estado que precisa da força da “constituição” e dos braços armados legítimos, a CBB precisa da confiança. Laços fortes de confiança determinam coesão, enquanto laços frágeis produzem a desagregação. Em terminologia aristotélica, a degeneração da democracia batista é determinada quando os laços de confiança se rompem.
À luz do que foi dito, o desafio não está no campo da autoexaltação dos processos decisórios de novos regulamentos, muito menos no campo da gestão administrativa e financeira. A ética é o grande desafio. O ato político mais contundente que podemos assumir num curto prazo é talvez o único que atualmente estamos em condições de assumir: estreitar as distâncias para readquirirmos a força proveniente da confiança.
Sinceramente, não reconheço esses acenos da alta cúpula denominacional. Imagino que estejam satisfeitos, por isso sobrevivem do insulamento burocrático. A Colina parece estar perto de Dallas e bem distante do Brasil profundo. Adoraria estar errado nessa minha percepção. Talvez, seja mais fácil marginalizar pastores e líderes não alinhados do que tentar descer da colina e encontrá-los. Até porque, esses não lidam bem com cúpulas, elites e alto de colina. Para encontrá-los terão que descer. Mesmo aqueles que se esforçaram a vida toda para obter ascensão denominacional, terão que descer para encontrar outros batistas que nunca tiveram essa ambição. Enquanto alguns fazem da CBB projeto de poder pessoal e disputam ascensões nos cargos denominacionais, outros se identificam como cristãos batistas somente no plano de serviço inspirado em Jesus.
Quando os movimentos certos forem efetivados pelas mãos certas, aquelas comunidades que aparentemente não respondem mais, farão os movimentos correspondentes. É certo que a linha da confiança rompe fácil, mas ninguém ignora que confiança se conquista através de atos concretos e contínuos. A coesão batista é dependente de acenos que geram confiança. Talvez, os mais indicados sejam aqueles que ainda não foram feitos, os não convencionais.
É quase automático pensarmos em política através das grandes estruturas de poder, a capacidade de afetar as relações de força, as representações e o credenciamento eleitoral. Não percebemos que a política mais vigorosa, que antecede e perpassa todas as grandes estruturas, é concebida através dos acenos que geram confiança. Lembrando que acenos significa movimento da cabeça, olhos ou mãos para exprimir ideias.
Sem embargo, Jesus não foi apolítico. Na verdade, ele expôs os poderosos quando recusou aquele teor de poder oferecido (Lucas 4:1-13). Vencida a tentação, seguiu pregando, “nada no bolso ou nas mãos”, ciente que com seus acenos (gestos) construiria relações que dependeriam única e exclusivamente dos frágeis laços de confiança.
Artigo pobre de conteudo hermenêutico das Escrituras. Esta quando denunciava o pecado dos Sacerdotes, Reis etc.. Via de regra relacionava atitude de desobediência aos ensinos da Palavra. Ou ainda quando se refere aos falsos mestres, pastores, etc. denúnciava seus falsos ensinos.
No artigo acima encontramos uma visão “miope” com extrema generalizacao sem nenhuma especificação de fato e/ou atitudes.
Me parece um artigo muito mas politizado do que preocupado com a visão do cronistas .
SE O MEU POVO Q SE CHAMA PELO MEU NOME, SE HUMILHAR E ORAR E BUSCAR A MINHA FACE, ENTÃO EU OUVIREI DO SEU PERDOAREI OS SEUS PECADOS E SARAREI A SUA TERRA.
Estamos vivendo tempos difíceis onde as máscaras estão caindo e podemos ver quem realmente está servindo a um só Senhor. Deus tenha misericórdia daqueles que desejam continuar construindo uma relação de confiança seguindo o exemplo de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Muito bom, o artigo! Precisamos repensar o pacto denominacional, para fortalecer o princípio da cooperação e transformar as estruturas em polos de serviços que conquistem a confiança e estimulem a cooperação e coordenação como fatores de fortalecimento e coesão!
Penso que o nosso modelo denominacional e convencional é bem frágil mesmo. Mas a beleza dessa fragilidade é bastante cativante: todos gostamos de ambientes onde nós sentimos livres. Creio que por isso brigamos tanto mas resisitimos em deixar.
Porém, um modelo como o nosso exige muita competência de gestão organizacional. Se não houver isso a fragmentação é inevitável.
O que temos visto ao longo de algumas décadas é mesmo a incapacidade de nossos gestores denominacionais em gerir a complexidade, o tamanho, a diversidade e demandas denominacionais em meio a uma dinâmica social tão exigente.
Estamos empobrecidos de comando. Tristemente empobrecidos.
As regiões periféricas do Brasil batista são tão esquecidas que chega a parecer abandono, ou, quiçá, desprezo.
Se não ocorrerem as mudanças que o quadro denominacional exige estamos fadados ao declínio já percebido e denunciado por tantos.